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25 julho 2009
Aquarius
Visualizar Vizinhança em um mapa maior
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http://www.google.com/maps/ms?ie=UTF8&msa=19&msid=109495445036879994443.00046f8e8f474229c145f&source=embed
http://www.google.com/maps/ms?ie=UTF8&msa=0&msid=109495445036879994443.00046f8e8f474229c145f&source=embed&ll=-8.04253,-34.903607&spn=0.020609,0.038409&z=15
http://www.google.com/maps/ms?ie=UTF8&msa=0&msid=109495445036879994443.00046f8e8f474229c145f&source=embed&ll=-8.042955,-34.907727&spn=0.022734,0.017982&z=15
16 junho 2009
23 maio 2009
Notas da Postagem "A Gestapo Colombiana"
[1] El Departamento Administrativo de Seguridad (DAS) depende directamente de la presidencia de la República. Es la principal agencia de inteligencia de Colombia y también tiene funciones de policía judicial. Dentro de sus actividades se encuentra la de “protección” de altos servidores públicos y de otras personas bajo amenaza, como por ejemplo sindicalistas, lideres de comunidades indígenas y afrocolombianas, defensores de derechos humanos, periodistas, personas de la oposición política, entre otros.
[2]El delito de concierto para delinquir agravado ha sido el delito que cobija al paramilitarismo desde la reforma del código penal del año 2000 que eliminó los tipos penales que hacían referencia expresa al término “paramilitarismo”.
[3] El ‘Pacto de Ralito’ fue la primera prueba documental conocida de las alianzas formales entre la clase política colombiana con el paramilitarismo. Este en particular recogió los compromisos asumidos en una reunión del 23 de julio de 2001, que fue convocada por los jefes paramilitares Salvatore Mancuso Gómez, Diego Fernando Murillo Bejarano, alias Don Berna, Rodrigo Tovar Pupo, alias Jorge 40, y Edward Cobo Téllez, alias Diego Vecino, y donde 29 políticos de la costa Atlántica afirmaban su intención de ‘refundar nuestra patria’ y hacer ‘un nuevo contrato social’.
[4] Así, según el seguimiento que viene realizando el Colectivo de Abogados “José Alvear Restrepo”, 14 congresistas y ex congresistas han sido implicados, lo cual ha significado la totalidad de los representantes elegidos para el periodo de 2006 a 2010. De estos 14 congresistas y ex congresistas, 9 se encuentran detenidos actualmente, 4 aceptaron su responsabilidad por los cargos imputados y se sometieron a sentencia anticipada, y 2 han sido condenados por sus relaciones con estructuras paramilitares. Se resaltan los casos del ex alcalde de Santa Marta José Francisco Zúñiga Riascos, quien fue condenado por los delitos de concierto para delinquir agravado y constreñimiento al sufragante, y el ex gobernador de Magdalena Trino Luna Correa, quien fue condenado por el delito de concierto para delinquir agravado por sus relaciones con los jefes paramilitares Rodrigo Tovar Pupo, alias Jorge 40, y Hernan Giraldo Serna”
integra
[2]El delito de concierto para delinquir agravado ha sido el delito que cobija al paramilitarismo desde la reforma del código penal del año 2000 que eliminó los tipos penales que hacían referencia expresa al término “paramilitarismo”.
[3] El ‘Pacto de Ralito’ fue la primera prueba documental conocida de las alianzas formales entre la clase política colombiana con el paramilitarismo. Este en particular recogió los compromisos asumidos en una reunión del 23 de julio de 2001, que fue convocada por los jefes paramilitares Salvatore Mancuso Gómez, Diego Fernando Murillo Bejarano, alias Don Berna, Rodrigo Tovar Pupo, alias Jorge 40, y Edward Cobo Téllez, alias Diego Vecino, y donde 29 políticos de la costa Atlántica afirmaban su intención de ‘refundar nuestra patria’ y hacer ‘un nuevo contrato social’.
[4] Así, según el seguimiento que viene realizando el Colectivo de Abogados “José Alvear Restrepo”, 14 congresistas y ex congresistas han sido implicados, lo cual ha significado la totalidad de los representantes elegidos para el periodo de 2006 a 2010. De estos 14 congresistas y ex congresistas, 9 se encuentran detenidos actualmente, 4 aceptaron su responsabilidad por los cargos imputados y se sometieron a sentencia anticipada, y 2 han sido condenados por sus relaciones con estructuras paramilitares. Se resaltan los casos del ex alcalde de Santa Marta José Francisco Zúñiga Riascos, quien fue condenado por los delitos de concierto para delinquir agravado y constreñimiento al sufragante, y el ex gobernador de Magdalena Trino Luna Correa, quien fue condenado por el delito de concierto para delinquir agravado por sus relaciones con los jefes paramilitares Rodrigo Tovar Pupo, alias Jorge 40, y Hernan Giraldo Serna”
integra
20 janeiro 2009
A Nota Certa
A nota certa , em 19 de janeiro
Gupo de 36 militantes petistas divulgou, no dia 16 de janeiro, uma carta manifestando seu "desacordo" com a nota divulgada no dia 4 de janeiro, intitulada "PT condena ataques criminosos". [ver abaixo]
Os signatários declaram-se "profundamente consternados com "a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças", mas paradoxalmente sua carta é dedicada a relativizar as críticas que a nota do PT faz contra o governo de Israel.
Acusando a nota de posicionar "equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade", os 36 militantes sintetizam sua opinião nos seguintes pontos:
a) a nota do PT "ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos";
b) a nota do PT "banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo";
c) a nota do PT "não registra a necessária condenação ao terrorismo";
d) a nota do PT "não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas";
e) a nota do PT "não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão";
f) a nota do PT "queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento".
Pode-se concluir, portanto, que a carta dos 36 acusa a nota do PT de desequilíbrio pró-palestinos.
Considerando as circunstâncias, isto deve ser tomado como um elogio, não como uma crítica. Afinal, frente ao massacre perpetrado em Gaza, em aberta violação do direito internacional, é imperativo que um Partido como o nosso tome posição aberta e clara, sem subterfúgios nem meias-palavras, em favor dos mais fracos: o povo palestino.
A primeira crítica dos 36 acusa a nota do PT de ignorar "a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos".
Li e reli a nota divulgada pelo Partido e não consegui entender em que parágrafo, em que frase, em que vírgula nós ameaçamos a "coexistência pacífica".
A única interpretação que me ocorre está contida em cartas que recebemos de sionistas: ao convocar a militância para uma mobilização contra a guerra e pela paz, o PT estaria supostamente ameaçando a coexistência pacífica entre "palestinos e judeus" aqui no Brasil, importando um conflito que "não é nosso". Mas não consigo crer que os signatários da carta pensem isto.
A segunda crítica dos 36 diz que a nota do PT "banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo".
O que diz a nota do PT: "atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis. A retaliação contra civis é uma prática típica do exército nazista: Lídice e Guernica são dois exemplos disso".
Ou seja: a nota do PT não afirma uma tese sobre o "fenômeno histórico do nazismo", nem comete nenhum anacronismo ou simplificação histórica. Logo, não podemos ser acusados de "distorcer" algo sobre o qual não pontificamos.
A nota do PT limita-se a apontar um fato: o exército nazista ficou conhecido por retaliar civis. E matar civis, mesmo numa guerra, não pode ser considerado algo "banal". Quem "banaliza" a violência é quem aprova, silencia, ou tergiversa sobre o que se passa em Gaza.
O governo de Israel considerou inaceitável a comparação feita pela nota do PT, mas não considera inaceitável matar e ferir milhares de civis. Infelizmente, os 36 não denunciam nem criticam explicitamente o terrorismo de Estado praticado pelo governo de Israel contra os palestinos, preferindo criticar a nota do PT.
Vale dizer que há muitos textos e manifestos, inclusive patrocinados por militantes judeus, que fazem analogia direta entre o Gueto de Varsóvia e a Faixa de Gaza.
A terceira e a quarta crítica dos 36 reclamam que a nota do PT "não registra a necessária condenação ao terrorismo" e "não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas".
Estas duas críticas partem de um pressuposto equivocado. Uma nota sobre um caso concreto não precisa, obrigatoriamente, fazer um inventário das posições históricas do PT. E a eventual ausência desta ou daquela posição, não significa que o Partido tenha alterado seu ponto de vista. Aliás, a nota do PT também não cita nossa posição sobre o Estado Palestino.
O fato concreto que provocou a nota foi a agressão do governo de Israel contra o povo palestino, e não uma inexistente ameaça ao direito dos israelenses em ter seu próprio Estado. Sugerir que o Partido desconhece esse direito, por não reafirmá-lo na nota citada, não passa de sofisma.
Ocorre que a carta dos 36 parece aceitar que o ataque contra a Faixa de Gaza é um ato de "legítima defesa" por parte do governo de Israel. A nota do PT rechaça explicitamente esta alegação. Aliás, o cronograma do ataque contra Gaza está diretamente vinculado à transição nos EUA e às eleições israelenses.
A carta dos 36 assume, mesmo que parcial e implicitamente, alguma das premissas e justificativas adotadas pelo governo de Israel para seu ataque contra Gaza. Só isto tornaria imprescindível incluir na nota do PT o "reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas", quando o que está realmente em jogo é o direito à sobrevivência do povo palestino, bem como as resoluções internacionais violadas pelo Estado de Israel.
Evidentemente, o PT não defende o Hamas, defende o povo palestino. Também é sabido que condenamos o terrorismo, em todas as suas formas. Mas estamos convencidos de que as posições do Hamas e seus foguetes foram utilizados, pelo governo de Israel, como um pretexto para a barbárie perpetrada em Gaza.
A quinta crítica feita pelos 36 diz que a nota do PT "não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão".
Ao dizer que a posição do governo é "equilibrada", os 36 sugerem ser desequilibrada a posição do PT.
O PT concorda com a posição do governo brasileiro. Achamos que ela se coaduna (ou seja, se combina, sem que sejam posições iguais) com a posição expressa pelo PT, na nota de 4 de janeiro.
Vale lembrar que declarações do presidente, do ministro das relações exteriores e do assessor especial utilizaram termos como carnificina, chacina, agressão injustificável e terrorismo de Estado.
Seja como for, o PT não precisa copiar a posição do governo. Partido é partido, governo é governo. O que um pode dizer e fazer, o outro nem sempre pode ou deve. E vice-versa.
A última crítica feita pelos 36 beira o grotesco: acusam a nota do PT de queimar, "ao invés de construir, pontes para o entendimento".
O PT é a favor da paz. E paz implica em dialogar, inclusive com inimigos. Paz não é esquecimento. Nem se constrói sobre mentiras, meias-palavras, mal-entendidos. Nem tampouco se faz omitindo a história.
O governo de Israel atacou a Faixa de Gaza. Morreram mais de 1.200 palestinos. Milhares foram feridos. A infra-estrutura na região foi ainda mais destruída. São ações deste tipo que queimam pontes para o entendimento, ameaçam a coexistência pacífica entre os povos, impedem uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino "viável e próspero" e de um Estado de Israel "definitivamente seguro".
Não haverá segurança nem paz, enquanto houver ocupação, desrespeito às resoluções da ONU e enquanto os palestinos foram tratados, pelo governo de Israel, como uma sub-raça submetida ao terrorismo de Estado.
A nota do PT tem o mérito de dizer as coisas com simplicidade e clareza, inclusive sobre o papel jogado pelos Estados Unidos e sobre o agravamento da tensão mundial. Vale dizer que sem uma forte pressão internacional, o governo de Israel não mudará de atitude e não negociará. Neste sentido, a nota do PT ajuda mais na luta pela paz, do que as posições no mínimo tíbias adotadas pela carta dos 36, divulgada quase duas semanas depois da nota do Partido e na véspera do encerramento da ofensiva de Israel.
Haveria mais o que dizer, especialmente sobre os antecedentes históricos do conflito e sobre o direito de um povo resistir à ocupação estrangeira. Mas, tendo em vista o que está em jogo, é preferível que nos limitemos a defender os termos adotados pela nota do PT.
Valter Pomar
Secretário de relações internacionais do PT
Grupo petista manifesta desacordo com nota do PT sobre Gaza (nota dos 36)
36 petistas divulgou carta em que manifesta ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, “desacordo” com a nota do partido sobre os ataques israelenses à Faixa de Gaza. Leia a íntegra abaixo:
Ao companheiro Ricardo Berzoini,Presidente Nacional do PT,
Nós aqui subscritos, na qualidade de militantes do PT profundamente consternados com a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças, gostaríamos de manifestar publicamente desacordo com o teor da nota do Partido sobre o conflito, divulgada a 4 de janeiro corrente.
Em nossa visão, a nota posiciona equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade, devido, em síntese, aos seguintes pontos:i. ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos;ii. banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo;iii. não registra a necessária condenação ao terrorismo;iv. não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas;v. não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão; evi. queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento.
Estamos convictos de que o Brasil, conforme propõe o Governo Lula e com base na convivência exemplar das duas comunidades em sua sociedade, pode contribuir para o engajamento das partes na busca de uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino viável e próspero e de um Estado de Israel definitivamente seguro.
Nosso partido pode desempenhar um papel importante no aprofundamento do debate e na defesa, junto às partes e à sociedade brasileira, do caminho do cessar-fogo imediato e do desbloqueio da entrada de ajuda humanitária.
Alberto Kleiman
Alexandre Padilha
Alfredo Schechtman
Aloizio Mercadante
Ana Copat Mindrisz
Carlos Minc Baumfeld
Clara Ant
Denise Rosa Lobato
Diogo de Sant’Ana
Edna Cassimiro
Esther Bemerguy de Albuquerque
Fernando Haddad
Fernando Kleiman
Itajaí Oliveira de Albuquerque
Ivo Bucaresky
Ivone de Santana
Jaques Wagner
José Genoino
Luciano Pereira da Silva
Marcelo Behar
Marcelo Zero
Marcos Damasceno
Maria Luíza Falcão
Marta Suplicy
Mauricio Mindrisz
Nadia Somekh
Paul Israel Singer
Paulo Moura
Paulo Vannuchi
Pedro Vieira Abramovay
Rômulo Paes de Sousa
Sergio Gusmão Suchodolski
Suzanne Serruya
Tarso Genro
Thiago Melamed de Menezes
Vitor Sarno
Gupo de 36 militantes petistas divulgou, no dia 16 de janeiro, uma carta manifestando seu "desacordo" com a nota divulgada no dia 4 de janeiro, intitulada "PT condena ataques criminosos". [ver abaixo]
Os signatários declaram-se "profundamente consternados com "a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças", mas paradoxalmente sua carta é dedicada a relativizar as críticas que a nota do PT faz contra o governo de Israel.
Acusando a nota de posicionar "equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade", os 36 militantes sintetizam sua opinião nos seguintes pontos:
a) a nota do PT "ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos";
b) a nota do PT "banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo";
c) a nota do PT "não registra a necessária condenação ao terrorismo";
d) a nota do PT "não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas";
e) a nota do PT "não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão";
f) a nota do PT "queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento".
Pode-se concluir, portanto, que a carta dos 36 acusa a nota do PT de desequilíbrio pró-palestinos.
Considerando as circunstâncias, isto deve ser tomado como um elogio, não como uma crítica. Afinal, frente ao massacre perpetrado em Gaza, em aberta violação do direito internacional, é imperativo que um Partido como o nosso tome posição aberta e clara, sem subterfúgios nem meias-palavras, em favor dos mais fracos: o povo palestino.
A primeira crítica dos 36 acusa a nota do PT de ignorar "a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos".
Li e reli a nota divulgada pelo Partido e não consegui entender em que parágrafo, em que frase, em que vírgula nós ameaçamos a "coexistência pacífica".
A única interpretação que me ocorre está contida em cartas que recebemos de sionistas: ao convocar a militância para uma mobilização contra a guerra e pela paz, o PT estaria supostamente ameaçando a coexistência pacífica entre "palestinos e judeus" aqui no Brasil, importando um conflito que "não é nosso". Mas não consigo crer que os signatários da carta pensem isto.
A segunda crítica dos 36 diz que a nota do PT "banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo".
O que diz a nota do PT: "atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis. A retaliação contra civis é uma prática típica do exército nazista: Lídice e Guernica são dois exemplos disso".
Ou seja: a nota do PT não afirma uma tese sobre o "fenômeno histórico do nazismo", nem comete nenhum anacronismo ou simplificação histórica. Logo, não podemos ser acusados de "distorcer" algo sobre o qual não pontificamos.
A nota do PT limita-se a apontar um fato: o exército nazista ficou conhecido por retaliar civis. E matar civis, mesmo numa guerra, não pode ser considerado algo "banal". Quem "banaliza" a violência é quem aprova, silencia, ou tergiversa sobre o que se passa em Gaza.
O governo de Israel considerou inaceitável a comparação feita pela nota do PT, mas não considera inaceitável matar e ferir milhares de civis. Infelizmente, os 36 não denunciam nem criticam explicitamente o terrorismo de Estado praticado pelo governo de Israel contra os palestinos, preferindo criticar a nota do PT.
Vale dizer que há muitos textos e manifestos, inclusive patrocinados por militantes judeus, que fazem analogia direta entre o Gueto de Varsóvia e a Faixa de Gaza.
A terceira e a quarta crítica dos 36 reclamam que a nota do PT "não registra a necessária condenação ao terrorismo" e "não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas".
Estas duas críticas partem de um pressuposto equivocado. Uma nota sobre um caso concreto não precisa, obrigatoriamente, fazer um inventário das posições históricas do PT. E a eventual ausência desta ou daquela posição, não significa que o Partido tenha alterado seu ponto de vista. Aliás, a nota do PT também não cita nossa posição sobre o Estado Palestino.
O fato concreto que provocou a nota foi a agressão do governo de Israel contra o povo palestino, e não uma inexistente ameaça ao direito dos israelenses em ter seu próprio Estado. Sugerir que o Partido desconhece esse direito, por não reafirmá-lo na nota citada, não passa de sofisma.
Ocorre que a carta dos 36 parece aceitar que o ataque contra a Faixa de Gaza é um ato de "legítima defesa" por parte do governo de Israel. A nota do PT rechaça explicitamente esta alegação. Aliás, o cronograma do ataque contra Gaza está diretamente vinculado à transição nos EUA e às eleições israelenses.
A carta dos 36 assume, mesmo que parcial e implicitamente, alguma das premissas e justificativas adotadas pelo governo de Israel para seu ataque contra Gaza. Só isto tornaria imprescindível incluir na nota do PT o "reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas", quando o que está realmente em jogo é o direito à sobrevivência do povo palestino, bem como as resoluções internacionais violadas pelo Estado de Israel.
Evidentemente, o PT não defende o Hamas, defende o povo palestino. Também é sabido que condenamos o terrorismo, em todas as suas formas. Mas estamos convencidos de que as posições do Hamas e seus foguetes foram utilizados, pelo governo de Israel, como um pretexto para a barbárie perpetrada em Gaza.
A quinta crítica feita pelos 36 diz que a nota do PT "não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão".
Ao dizer que a posição do governo é "equilibrada", os 36 sugerem ser desequilibrada a posição do PT.
O PT concorda com a posição do governo brasileiro. Achamos que ela se coaduna (ou seja, se combina, sem que sejam posições iguais) com a posição expressa pelo PT, na nota de 4 de janeiro.
Vale lembrar que declarações do presidente, do ministro das relações exteriores e do assessor especial utilizaram termos como carnificina, chacina, agressão injustificável e terrorismo de Estado.
Seja como for, o PT não precisa copiar a posição do governo. Partido é partido, governo é governo. O que um pode dizer e fazer, o outro nem sempre pode ou deve. E vice-versa.
A última crítica feita pelos 36 beira o grotesco: acusam a nota do PT de queimar, "ao invés de construir, pontes para o entendimento".
O PT é a favor da paz. E paz implica em dialogar, inclusive com inimigos. Paz não é esquecimento. Nem se constrói sobre mentiras, meias-palavras, mal-entendidos. Nem tampouco se faz omitindo a história.
O governo de Israel atacou a Faixa de Gaza. Morreram mais de 1.200 palestinos. Milhares foram feridos. A infra-estrutura na região foi ainda mais destruída. São ações deste tipo que queimam pontes para o entendimento, ameaçam a coexistência pacífica entre os povos, impedem uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino "viável e próspero" e de um Estado de Israel "definitivamente seguro".
Não haverá segurança nem paz, enquanto houver ocupação, desrespeito às resoluções da ONU e enquanto os palestinos foram tratados, pelo governo de Israel, como uma sub-raça submetida ao terrorismo de Estado.
A nota do PT tem o mérito de dizer as coisas com simplicidade e clareza, inclusive sobre o papel jogado pelos Estados Unidos e sobre o agravamento da tensão mundial. Vale dizer que sem uma forte pressão internacional, o governo de Israel não mudará de atitude e não negociará. Neste sentido, a nota do PT ajuda mais na luta pela paz, do que as posições no mínimo tíbias adotadas pela carta dos 36, divulgada quase duas semanas depois da nota do Partido e na véspera do encerramento da ofensiva de Israel.
Haveria mais o que dizer, especialmente sobre os antecedentes históricos do conflito e sobre o direito de um povo resistir à ocupação estrangeira. Mas, tendo em vista o que está em jogo, é preferível que nos limitemos a defender os termos adotados pela nota do PT.
Valter Pomar
Secretário de relações internacionais do PT
Grupo petista manifesta desacordo com nota do PT sobre Gaza (nota dos 36)
36 petistas divulgou carta em que manifesta ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, “desacordo” com a nota do partido sobre os ataques israelenses à Faixa de Gaza. Leia a íntegra abaixo:
Ao companheiro Ricardo Berzoini,Presidente Nacional do PT,
Nós aqui subscritos, na qualidade de militantes do PT profundamente consternados com a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças, gostaríamos de manifestar publicamente desacordo com o teor da nota do Partido sobre o conflito, divulgada a 4 de janeiro corrente.
Em nossa visão, a nota posiciona equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade, devido, em síntese, aos seguintes pontos:i. ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos;ii. banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo;iii. não registra a necessária condenação ao terrorismo;iv. não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas;v. não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão; evi. queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento.
Estamos convictos de que o Brasil, conforme propõe o Governo Lula e com base na convivência exemplar das duas comunidades em sua sociedade, pode contribuir para o engajamento das partes na busca de uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino viável e próspero e de um Estado de Israel definitivamente seguro.
Nosso partido pode desempenhar um papel importante no aprofundamento do debate e na defesa, junto às partes e à sociedade brasileira, do caminho do cessar-fogo imediato e do desbloqueio da entrada de ajuda humanitária.
Alberto Kleiman
Alexandre Padilha
Alfredo Schechtman
Aloizio Mercadante
Ana Copat Mindrisz
Carlos Minc Baumfeld
Clara Ant
Denise Rosa Lobato
Diogo de Sant’Ana
Edna Cassimiro
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