
O primeiro Reitor eleito na Universidade Brasileira (UFRJ 1985/89), dia-a-dia zelou pelo modelo da Universidade Pública, democrática e gratuita.Defendeu a soberania nacional, hoje, tão ameaçada. Ex-professor de universidade pública, perseguido e cassado, seguiu atuando, frente aos interesses nacionais.
SENADO FEDERAL,
Gabinete da 2ª vice-presidência
Discurso do Senador Ademir Andrade, do PSB-Pará, no Senado Federal, em 25 de fevereiro de 1999 e enviado à Direção Regional do PCB no Pará, com quem tem ombreado nas lutas populares e nas Frentes de Esquerda, eleitorais ou não.
Do SENADOR ADEMIR ANDRADE DE PSB-PA
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores,
Desejo registrar com imenso pesar, o súbito falecimento do companheiro de luta e emérito professor Horacio Cintra de Magalhães Macedo, ocorrido na madrugada do dia 24 ultimo na cidade do Rio de Janeiro. Exreitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi um dos grandes defensores da universidade publica de qualidade para todos. Não por acaso, em 1985, foi o primeiro reitor democraticamente eleito no Brasil sob a bandeira do ensino publico, gratuito e autônomo. Compatibilizou ciência e política como poucos intelectuais o fazem hoje, incondicionalmente inscrito na heróica utopia de um Brasil socialmente mais justo, democrático, livre e soberano.
Nos anos oitenta enquanto exercia a função de magnífico reitor da UFRJ, jamais hesitou em trabalhar pelos ideais do fortalecimento democrático dentro e fora da universidade buscando o engajamento do ensino, da pesquisa e da extensão na luta pela justiça social.
Sempre digno e honrado não compactuou com as elites corruptas desse País, tampouco tolerou a elitização o alheamento e a alienação da universidade brasileira. Pelo contrario, figura eminente das ciências exatas, sensibilizava-se profundamente com as questões éticas e ideológicas da política nacional.
Homem de esquerda sua consciência política atravessou por inteiro sua trajetória profissional, acadêmica e política. 0 inicio de, sua trajetória Política, acontece durante a Segunda Grande Guerra, quando, ainda estudante, alista-se à FEB para combater o nazi fascismo na Europa
Não obstante sua disposição patriótica, o Ministério da Guerra recusa sua inscrição em razão de sua pouca idade. Em compensação no alvorecer dos anos 50, quando acabara de concluir o curso de Física, o jovem Horácio participou intensamente da campanha “O Petróleo é nosso” .
Logo em seguida, empolgado com a crescente empatia socialista que abraçava o País, ingressou nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, do qual jamais se afastou. Com o golpe militar de 64, foi um dos cientistas vitimado pelo criminoso “Massacre dos Manguinhos”, cujo desdobramento culminou em sua prisão nos porões da ditadura e conseqüente cassação de, seus direitos.
Comunista convicto, nunca abandonou a militância política no quadro do PCB, mas isso seguramente não se confundia com alinhamento automático, pois, historicamente, se fez conhecido pelas duras criticas que apontou ao seu funcionamento e à linha política por vezes adotada pelo “Partidão”.
Apesar de toda a perseguição política durante a ditadura, prosseguiu com muito êxito sua Carreira acadêmica ocupando posições de indiscutível destaque não só na UFRJ mas também no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas no antigo Instituto Osvaldo Cruz e na Universidade Rural do Rio de Janeiro. Desse modo, cientista de renome, publicou inúmeros artigos e livros em sua área de conhecimento, a Química Industrial. Foram mais de 70 obras espalhadas por quatro décadas de dedicação, estudo e pesquisa. Entre, as obras de destaque, vale mencionar “Teoria Cinética dos Gases”, “FisicoQuimica” e “Dicionário de Física”.
Aposentado da ciência, militou no Partidão ate o ultimo dia de sua vida. Mesmo depois da tumultuada cisão que se deu no PCB no dos anos 90, o professor Horacio exerceu a Presidência do Partido de 92 a 94, e, ate antes de sua morte ocupava cadeira na Comissão Executiva do Comitê Central.
Para concluir, por tudo isso e por muito mais, em 1997, a cidade do Rio de Janeiro, em justa e merecida homenagem concedeu ao professor Horacio Macedo a medalha Pedro Ernesto em sessão solene na Câmara Municipal. Enfim, ainda consternado, nesse momento de muita dor e saudades faço minhas as palavras de Anita Macedo, sua esposa: “Horacio era um homem do século 21, da sociedade socialista, justa e igualitária”.
Era o que tinha a dizer.
SENADO FEDERAL,
Gabinete da 2ª vice-presidência
Discurso do Senador Ademir Andrade, do PSB-Pará, no Senado Federal, em 25 de fevereiro de 1999 e enviado à Direção Regional do PCB no Pará, com quem tem ombreado nas lutas populares e nas Frentes de Esquerda, eleitorais ou não.
Do SENADOR ADEMIR ANDRADE DE PSB-PA
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores,
Desejo registrar com imenso pesar, o súbito falecimento do companheiro de luta e emérito professor Horacio Cintra de Magalhães Macedo, ocorrido na madrugada do dia 24 ultimo na cidade do Rio de Janeiro. Exreitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi um dos grandes defensores da universidade publica de qualidade para todos. Não por acaso, em 1985, foi o primeiro reitor democraticamente eleito no Brasil sob a bandeira do ensino publico, gratuito e autônomo. Compatibilizou ciência e política como poucos intelectuais o fazem hoje, incondicionalmente inscrito na heróica utopia de um Brasil socialmente mais justo, democrático, livre e soberano.
Nos anos oitenta enquanto exercia a função de magnífico reitor da UFRJ, jamais hesitou em trabalhar pelos ideais do fortalecimento democrático dentro e fora da universidade buscando o engajamento do ensino, da pesquisa e da extensão na luta pela justiça social.
Sempre digno e honrado não compactuou com as elites corruptas desse País, tampouco tolerou a elitização o alheamento e a alienação da universidade brasileira. Pelo contrario, figura eminente das ciências exatas, sensibilizava-se profundamente com as questões éticas e ideológicas da política nacional.
Homem de esquerda sua consciência política atravessou por inteiro sua trajetória profissional, acadêmica e política. 0 inicio de, sua trajetória Política, acontece durante a Segunda Grande Guerra, quando, ainda estudante, alista-se à FEB para combater o nazi fascismo na Europa
Não obstante sua disposição patriótica, o Ministério da Guerra recusa sua inscrição em razão de sua pouca idade. Em compensação no alvorecer dos anos 50, quando acabara de concluir o curso de Física, o jovem Horácio participou intensamente da campanha “O Petróleo é nosso” .
Logo em seguida, empolgado com a crescente empatia socialista que abraçava o País, ingressou nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, do qual jamais se afastou. Com o golpe militar de 64, foi um dos cientistas vitimado pelo criminoso “Massacre dos Manguinhos”, cujo desdobramento culminou em sua prisão nos porões da ditadura e conseqüente cassação de, seus direitos.
Comunista convicto, nunca abandonou a militância política no quadro do PCB, mas isso seguramente não se confundia com alinhamento automático, pois, historicamente, se fez conhecido pelas duras criticas que apontou ao seu funcionamento e à linha política por vezes adotada pelo “Partidão”.
Apesar de toda a perseguição política durante a ditadura, prosseguiu com muito êxito sua Carreira acadêmica ocupando posições de indiscutível destaque não só na UFRJ mas também no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas no antigo Instituto Osvaldo Cruz e na Universidade Rural do Rio de Janeiro. Desse modo, cientista de renome, publicou inúmeros artigos e livros em sua área de conhecimento, a Química Industrial. Foram mais de 70 obras espalhadas por quatro décadas de dedicação, estudo e pesquisa. Entre, as obras de destaque, vale mencionar “Teoria Cinética dos Gases”, “FisicoQuimica” e “Dicionário de Física”.
Aposentado da ciência, militou no Partidão ate o ultimo dia de sua vida. Mesmo depois da tumultuada cisão que se deu no PCB no dos anos 90, o professor Horacio exerceu a Presidência do Partido de 92 a 94, e, ate antes de sua morte ocupava cadeira na Comissão Executiva do Comitê Central.
Para concluir, por tudo isso e por muito mais, em 1997, a cidade do Rio de Janeiro, em justa e merecida homenagem concedeu ao professor Horacio Macedo a medalha Pedro Ernesto em sessão solene na Câmara Municipal. Enfim, ainda consternado, nesse momento de muita dor e saudades faço minhas as palavras de Anita Macedo, sua esposa: “Horacio era um homem do século 21, da sociedade socialista, justa e igualitária”.
Era o que tinha a dizer.
Muito obrigado.
SENADOR ADEMIR ANDRADE DE PSB-PA
Brasília, 25 de fevereiro de 1999
Brasília, 25 de fevereiro de 1999