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25 julho 2009
Aquarius
Visualizar Vizinhança em um mapa maior
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16 junho 2009
23 maio 2009
Notas da Postagem "A Gestapo Colombiana"
[2]El delito de concierto para delinquir agravado ha sido el delito que cobija al paramilitarismo desde la reforma del código penal del año 2000 que eliminó los tipos penales que hacían referencia expresa al término “paramilitarismo”.
[3] El ‘Pacto de Ralito’ fue la primera prueba documental conocida de las alianzas formales entre la clase política colombiana con el paramilitarismo. Este en particular recogió los compromisos asumidos en una reunión del 23 de julio de 2001, que fue convocada por los jefes paramilitares Salvatore Mancuso Gómez, Diego Fernando Murillo Bejarano, alias Don Berna, Rodrigo Tovar Pupo, alias Jorge 40, y Edward Cobo Téllez, alias Diego Vecino, y donde 29 políticos de la costa Atlántica afirmaban su intención de ‘refundar nuestra patria’ y hacer ‘un nuevo contrato social’.
[4] Así, según el seguimiento que viene realizando el Colectivo de Abogados “José Alvear Restrepo”, 14 congresistas y ex congresistas han sido implicados, lo cual ha significado la totalidad de los representantes elegidos para el periodo de 2006 a 2010. De estos 14 congresistas y ex congresistas, 9 se encuentran detenidos actualmente, 4 aceptaron su responsabilidad por los cargos imputados y se sometieron a sentencia anticipada, y 2 han sido condenados por sus relaciones con estructuras paramilitares. Se resaltan los casos del ex alcalde de Santa Marta José Francisco Zúñiga Riascos, quien fue condenado por los delitos de concierto para delinquir agravado y constreñimiento al sufragante, y el ex gobernador de Magdalena Trino Luna Correa, quien fue condenado por el delito de concierto para delinquir agravado por sus relaciones con los jefes paramilitares Rodrigo Tovar Pupo, alias Jorge 40, y Hernan Giraldo Serna”
integra
20 janeiro 2009
A Nota Certa
Gupo de 36 militantes petistas divulgou, no dia 16 de janeiro, uma carta manifestando seu "desacordo" com a nota divulgada no dia 4 de janeiro, intitulada "PT condena ataques criminosos". [ver abaixo]
Os signatários declaram-se "profundamente consternados com "a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças", mas paradoxalmente sua carta é dedicada a relativizar as críticas que a nota do PT faz contra o governo de Israel.
Acusando a nota de posicionar "equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade", os 36 militantes sintetizam sua opinião nos seguintes pontos:
a) a nota do PT "ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos";
b) a nota do PT "banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo";
c) a nota do PT "não registra a necessária condenação ao terrorismo";
d) a nota do PT "não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas";
e) a nota do PT "não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão";
f) a nota do PT "queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento".
Pode-se concluir, portanto, que a carta dos 36 acusa a nota do PT de desequilíbrio pró-palestinos.
Considerando as circunstâncias, isto deve ser tomado como um elogio, não como uma crítica. Afinal, frente ao massacre perpetrado em Gaza, em aberta violação do direito internacional, é imperativo que um Partido como o nosso tome posição aberta e clara, sem subterfúgios nem meias-palavras, em favor dos mais fracos: o povo palestino.
A primeira crítica dos 36 acusa a nota do PT de ignorar "a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos".
Li e reli a nota divulgada pelo Partido e não consegui entender em que parágrafo, em que frase, em que vírgula nós ameaçamos a "coexistência pacífica".
A única interpretação que me ocorre está contida em cartas que recebemos de sionistas: ao convocar a militância para uma mobilização contra a guerra e pela paz, o PT estaria supostamente ameaçando a coexistência pacífica entre "palestinos e judeus" aqui no Brasil, importando um conflito que "não é nosso". Mas não consigo crer que os signatários da carta pensem isto.
A segunda crítica dos 36 diz que a nota do PT "banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo".
O que diz a nota do PT: "atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis. A retaliação contra civis é uma prática típica do exército nazista: Lídice e Guernica são dois exemplos disso".
Ou seja: a nota do PT não afirma uma tese sobre o "fenômeno histórico do nazismo", nem comete nenhum anacronismo ou simplificação histórica. Logo, não podemos ser acusados de "distorcer" algo sobre o qual não pontificamos.
A nota do PT limita-se a apontar um fato: o exército nazista ficou conhecido por retaliar civis. E matar civis, mesmo numa guerra, não pode ser considerado algo "banal". Quem "banaliza" a violência é quem aprova, silencia, ou tergiversa sobre o que se passa em Gaza.
O governo de Israel considerou inaceitável a comparação feita pela nota do PT, mas não considera inaceitável matar e ferir milhares de civis. Infelizmente, os 36 não denunciam nem criticam explicitamente o terrorismo de Estado praticado pelo governo de Israel contra os palestinos, preferindo criticar a nota do PT.
Vale dizer que há muitos textos e manifestos, inclusive patrocinados por militantes judeus, que fazem analogia direta entre o Gueto de Varsóvia e a Faixa de Gaza.
A terceira e a quarta crítica dos 36 reclamam que a nota do PT "não registra a necessária condenação ao terrorismo" e "não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas".
Estas duas críticas partem de um pressuposto equivocado. Uma nota sobre um caso concreto não precisa, obrigatoriamente, fazer um inventário das posições históricas do PT. E a eventual ausência desta ou daquela posição, não significa que o Partido tenha alterado seu ponto de vista. Aliás, a nota do PT também não cita nossa posição sobre o Estado Palestino.
O fato concreto que provocou a nota foi a agressão do governo de Israel contra o povo palestino, e não uma inexistente ameaça ao direito dos israelenses em ter seu próprio Estado. Sugerir que o Partido desconhece esse direito, por não reafirmá-lo na nota citada, não passa de sofisma.
Ocorre que a carta dos 36 parece aceitar que o ataque contra a Faixa de Gaza é um ato de "legítima defesa" por parte do governo de Israel. A nota do PT rechaça explicitamente esta alegação. Aliás, o cronograma do ataque contra Gaza está diretamente vinculado à transição nos EUA e às eleições israelenses.
A carta dos 36 assume, mesmo que parcial e implicitamente, alguma das premissas e justificativas adotadas pelo governo de Israel para seu ataque contra Gaza. Só isto tornaria imprescindível incluir na nota do PT o "reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas", quando o que está realmente em jogo é o direito à sobrevivência do povo palestino, bem como as resoluções internacionais violadas pelo Estado de Israel.
Evidentemente, o PT não defende o Hamas, defende o povo palestino. Também é sabido que condenamos o terrorismo, em todas as suas formas. Mas estamos convencidos de que as posições do Hamas e seus foguetes foram utilizados, pelo governo de Israel, como um pretexto para a barbárie perpetrada em Gaza.
A quinta crítica feita pelos 36 diz que a nota do PT "não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão".
Ao dizer que a posição do governo é "equilibrada", os 36 sugerem ser desequilibrada a posição do PT.
O PT concorda com a posição do governo brasileiro. Achamos que ela se coaduna (ou seja, se combina, sem que sejam posições iguais) com a posição expressa pelo PT, na nota de 4 de janeiro.
Vale lembrar que declarações do presidente, do ministro das relações exteriores e do assessor especial utilizaram termos como carnificina, chacina, agressão injustificável e terrorismo de Estado.
Seja como for, o PT não precisa copiar a posição do governo. Partido é partido, governo é governo. O que um pode dizer e fazer, o outro nem sempre pode ou deve. E vice-versa.
A última crítica feita pelos 36 beira o grotesco: acusam a nota do PT de queimar, "ao invés de construir, pontes para o entendimento".
O PT é a favor da paz. E paz implica em dialogar, inclusive com inimigos. Paz não é esquecimento. Nem se constrói sobre mentiras, meias-palavras, mal-entendidos. Nem tampouco se faz omitindo a história.
O governo de Israel atacou a Faixa de Gaza. Morreram mais de 1.200 palestinos. Milhares foram feridos. A infra-estrutura na região foi ainda mais destruída. São ações deste tipo que queimam pontes para o entendimento, ameaçam a coexistência pacífica entre os povos, impedem uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino "viável e próspero" e de um Estado de Israel "definitivamente seguro".
Não haverá segurança nem paz, enquanto houver ocupação, desrespeito às resoluções da ONU e enquanto os palestinos foram tratados, pelo governo de Israel, como uma sub-raça submetida ao terrorismo de Estado.
A nota do PT tem o mérito de dizer as coisas com simplicidade e clareza, inclusive sobre o papel jogado pelos Estados Unidos e sobre o agravamento da tensão mundial. Vale dizer que sem uma forte pressão internacional, o governo de Israel não mudará de atitude e não negociará. Neste sentido, a nota do PT ajuda mais na luta pela paz, do que as posições no mínimo tíbias adotadas pela carta dos 36, divulgada quase duas semanas depois da nota do Partido e na véspera do encerramento da ofensiva de Israel.
Haveria mais o que dizer, especialmente sobre os antecedentes históricos do conflito e sobre o direito de um povo resistir à ocupação estrangeira. Mas, tendo em vista o que está em jogo, é preferível que nos limitemos a defender os termos adotados pela nota do PT.
Valter Pomar
Secretário de relações internacionais do PT
Grupo petista manifesta desacordo com nota do PT sobre Gaza (nota dos 36)
36 petistas divulgou carta em que manifesta ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, “desacordo” com a nota do partido sobre os ataques israelenses à Faixa de Gaza. Leia a íntegra abaixo:
Ao companheiro Ricardo Berzoini,Presidente Nacional do PT,
Nós aqui subscritos, na qualidade de militantes do PT profundamente consternados com a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças, gostaríamos de manifestar publicamente desacordo com o teor da nota do Partido sobre o conflito, divulgada a 4 de janeiro corrente.
Em nossa visão, a nota posiciona equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade, devido, em síntese, aos seguintes pontos:i. ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos;ii. banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo;iii. não registra a necessária condenação ao terrorismo;iv. não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas;v. não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão; evi. queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento.
Estamos convictos de que o Brasil, conforme propõe o Governo Lula e com base na convivência exemplar das duas comunidades em sua sociedade, pode contribuir para o engajamento das partes na busca de uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino viável e próspero e de um Estado de Israel definitivamente seguro.
Nosso partido pode desempenhar um papel importante no aprofundamento do debate e na defesa, junto às partes e à sociedade brasileira, do caminho do cessar-fogo imediato e do desbloqueio da entrada de ajuda humanitária.
Alberto Kleiman
Alexandre Padilha
Alfredo Schechtman
Aloizio Mercadante
Ana Copat Mindrisz
Carlos Minc Baumfeld
Clara Ant
Denise Rosa Lobato
Diogo de Sant’Ana
Edna Cassimiro
Esther Bemerguy de Albuquerque
Fernando Haddad
Fernando Kleiman
Itajaí Oliveira de Albuquerque
Ivo Bucaresky
Ivone de Santana
Jaques Wagner
José Genoino
Luciano Pereira da Silva
Marcelo Behar
Marcelo Zero
Marcos Damasceno
Maria Luíza Falcão
Marta Suplicy
Mauricio Mindrisz
Nadia Somekh
Paul Israel Singer
Paulo Moura
Paulo Vannuchi
Pedro Vieira Abramovay
Rômulo Paes de Sousa
Sergio Gusmão Suchodolski
Suzanne Serruya
Tarso Genro
Thiago Melamed de Menezes
Vitor Sarno
16 julho 2008
Colegas da Faculdade
Blogs e Portais Latino Americanos
Partidos Políticos
Partido Comunista Peruano /
Tribuna Popular - PC de Venezuela
15 julho 2008
07 julho 2008
Pelo Veto ao Projeto de Cibercrimes
EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA
A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa.
Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.
A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento.
O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural.
A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana.
E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente, "Educação e Carreira", ou seja, acesso à sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil. Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência.
Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância.
Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir autorização" na memória "viva" (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comum dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime. O projeto, se aprovado, colocaria a prática do "blogging" na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém!
Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao "transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado", "sem pedir a autorização dos autores" (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los).
Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.
O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos... Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum "dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular"?
Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime. Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI.
Por estas razões nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000, e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.
André Lemos, Prof. Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA, Pesquisador 1 do CNPq.
Sérgio Amadeu da Silveira, Prof. do Mestrado da Faculdade Cásper Líbero, ativista do software livre.
João Carlos Rebello Caribé, Publicitário e Consultor de Negócios em Midias Sociais
Sinceramente,
Abaixo Assinados
http://leilajinkings.blogspot.com/2008/07/golpistas-tentam-amordaar-internet.html
06 julho 2008
Discurso de Ademir Andrade em Homenagem a Horacio Macedo

SENADO FEDERAL,
Gabinete da 2ª vice-presidência
Discurso do Senador Ademir Andrade, do PSB-Pará, no Senado Federal, em 25 de fevereiro de 1999 e enviado à Direção Regional do PCB no Pará, com quem tem ombreado nas lutas populares e nas Frentes de Esquerda, eleitorais ou não.
Do SENADOR ADEMIR ANDRADE DE PSB-PA
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores,
Desejo registrar com imenso pesar, o súbito falecimento do companheiro de luta e emérito professor Horacio Cintra de Magalhães Macedo, ocorrido na madrugada do dia 24 ultimo na cidade do Rio de Janeiro. Exreitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi um dos grandes defensores da universidade publica de qualidade para todos. Não por acaso, em 1985, foi o primeiro reitor democraticamente eleito no Brasil sob a bandeira do ensino publico, gratuito e autônomo. Compatibilizou ciência e política como poucos intelectuais o fazem hoje, incondicionalmente inscrito na heróica utopia de um Brasil socialmente mais justo, democrático, livre e soberano.
Nos anos oitenta enquanto exercia a função de magnífico reitor da UFRJ, jamais hesitou em trabalhar pelos ideais do fortalecimento democrático dentro e fora da universidade buscando o engajamento do ensino, da pesquisa e da extensão na luta pela justiça social.
Sempre digno e honrado não compactuou com as elites corruptas desse País, tampouco tolerou a elitização o alheamento e a alienação da universidade brasileira. Pelo contrario, figura eminente das ciências exatas, sensibilizava-se profundamente com as questões éticas e ideológicas da política nacional.
Homem de esquerda sua consciência política atravessou por inteiro sua trajetória profissional, acadêmica e política. 0 inicio de, sua trajetória Política, acontece durante a Segunda Grande Guerra, quando, ainda estudante, alista-se à FEB para combater o nazi fascismo na Europa
Não obstante sua disposição patriótica, o Ministério da Guerra recusa sua inscrição em razão de sua pouca idade. Em compensação no alvorecer dos anos 50, quando acabara de concluir o curso de Física, o jovem Horácio participou intensamente da campanha “O Petróleo é nosso” .
Logo em seguida, empolgado com a crescente empatia socialista que abraçava o País, ingressou nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, do qual jamais se afastou. Com o golpe militar de 64, foi um dos cientistas vitimado pelo criminoso “Massacre dos Manguinhos”, cujo desdobramento culminou em sua prisão nos porões da ditadura e conseqüente cassação de, seus direitos.
Comunista convicto, nunca abandonou a militância política no quadro do PCB, mas isso seguramente não se confundia com alinhamento automático, pois, historicamente, se fez conhecido pelas duras criticas que apontou ao seu funcionamento e à linha política por vezes adotada pelo “Partidão”.
Apesar de toda a perseguição política durante a ditadura, prosseguiu com muito êxito sua Carreira acadêmica ocupando posições de indiscutível destaque não só na UFRJ mas também no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas no antigo Instituto Osvaldo Cruz e na Universidade Rural do Rio de Janeiro. Desse modo, cientista de renome, publicou inúmeros artigos e livros em sua área de conhecimento, a Química Industrial. Foram mais de 70 obras espalhadas por quatro décadas de dedicação, estudo e pesquisa. Entre, as obras de destaque, vale mencionar “Teoria Cinética dos Gases”, “FisicoQuimica” e “Dicionário de Física”.
Aposentado da ciência, militou no Partidão ate o ultimo dia de sua vida. Mesmo depois da tumultuada cisão que se deu no PCB no dos anos 90, o professor Horacio exerceu a Presidência do Partido de 92 a 94, e, ate antes de sua morte ocupava cadeira na Comissão Executiva do Comitê Central.
Para concluir, por tudo isso e por muito mais, em 1997, a cidade do Rio de Janeiro, em justa e merecida homenagem concedeu ao professor Horacio Macedo a medalha Pedro Ernesto em sessão solene na Câmara Municipal. Enfim, ainda consternado, nesse momento de muita dor e saudades faço minhas as palavras de Anita Macedo, sua esposa: “Horacio era um homem do século 21, da sociedade socialista, justa e igualitária”.
Era o que tinha a dizer.
Brasília, 25 de fevereiro de 1999
La verdad, yo no puedo felicitarlo…
Aunque esté contenta por la liberación de la señora Ingrid Betancourt, cuya foto en la que se veía casi moribunda, desgastada, lastimosa, recorrió el mundo y agitó más de un corazón, de esos que viven prendidos de la gran prensa internacional, sometida a un proyecto repudiable y que da vueltas como un panqueque la realidad del mundo actual.
Me sentí muy feliz cuando todos los canales de televisión se lanzaron en busca de la última noticia tan esperada por el mundo, mostrando la llegada del avión en cuya puerta asomó la imagen de la mujer liberada quien se vio muy rozagante, demostrando una hercúlea fuerza que debe ser la que le permitió cambiar su estado físico respecto al que tenía hace tan pocos meses.
Pensé y lo confieso, que estaba presenciando un verdadero “milagro” muy parecido a un reality show, tan de moda, en la televisión.
No sería extraño que algún obispo ya esté pensando en canonizarla aunque vistiera ropas militares, pero ese sería un detalle menor, mucho más tratándose de ropa militar colombiana.
Como mujer envidié su prolijidad, sus cejas impecables, tanto como su cabello, habiendo soportado condiciones “tan adversas” y sin agua caliente, maravilloso realmente.
Uno jamás apoyó la retención de la señora, por favor, hacerlo sería como aceptar la situación de los miles de prisioneros y prisioneras en las paupérrimas cárceles del estado colombiano, o aceptar el padecimiento de tantos niños y jóvenes así como de padres, madres, hermanos, familiares, amigos, que sufren la desesperación de la ausencia.
Porque la ausencia es como una lanza envenenada clavada en el corazón de quienes la padecen, sean morenos, blancos, indios, mestizos, europeos, pese a que la teoría actual se inclina, como en siglos pasados, en beneficiar a estos últimos.
Sinceramente pienso que el mismo respeto merecen todos los grupos étnicos, bilingües o no, con doble nacionalidad o autóctonos de una tierra, la que los vio nacer y morir todos los días un poco a causa de la desidia de los que arrasan con lo que le corresponde a tantos y aunque algunos de estos grupos sean los eternos olvidados en un sistema cruel, hipócrita, despiadado.
Como dice el título de esta nota, la verdad, yo no lo felicito a Uribe, creo que hoy más que nunca tienen vigencia las palabras atribuidas al filósofo Aristóteles, “considero más valiente al que conquista sus deseos que al que conquista a sus enemigos…” y agregamos aquella de Willy Brandt: “permitir una injusticia significa abrir el camino a todas las que le siguen”.
Y estamos permitiendo la injusticia al salir, por el motivo que fuere, a felicitar a un genocida como Uribe quien goza de un historial criminal sin antecedentes, permitiendo que existan en Colombia estructuras paramilitares que hoy tienen 400 diligencias judiciales abiertas y 100 mil víctimas de toda edad y color de piel, pero europeos abstenerse…Felicitar a un asesino que posibilitó que los que se conocen como paramilitares colombianos desmovilizados, sean propietarios en Suramérica de minas de oro, empresas de transporte, millones de hectáreas de campo útiles para el narcotráfico internacional y/o viviendas en muchos puntos.
Un hombre-bestia que cuenta en su haber la terrorífica cifra de más de 60 mil muertos, 4 mil desaparecidos y más de 3 millones de desplazados, pero que hoy “demuestra piedad” con determinados prisioneros políticos tal como se ha visto en las últimas horas. Franceses y estadounidenses, agentes de la CÍA , en viaje de “estudio” por zonas de incidencia de las fuerzas guerrilleras, o militares apresados en combates.
Felicitar a semejante monstruo, hoy desesperado trabajador por una próxima reelección y cuyo acompañante en la nueva fórmula presidencial bien podemos imaginar, es enterrar definitivamente a los familiares de todas las víctimas por manos del aparato genocida estatal.
Y a los prisioneros hacinados en las cárceles de máxima seguridad del estado, que parecen innombrables. Igual que los extraditados al imperio.
Hay que tener mucho cuidado con lo que avalamos sea por la causa que fuere.
Jamás me pondría del lado de gente que empuña armas, ni de la insurgencia ni del Estado, considerando que a ellos les sobran herramientas para defenderse.
Pero seamos concisos en la apreciación, ninguna fuerza insurrecta en el mundo se formó porque hombres y mujeres, masivamente, se hayan levantado un día con el, con el “pie izquierdo”, símbolo de mala suerte según lo instalado por las sociedades discriminatorias que indican que todo lo izquierdo es malo, es siniestro, peligroso…
Una guerrilla se forma como respuesta a un Estado ausente en lo social, o presente a través del terror, a un Estado genocida, a un Estado que vulnera los derechos de los habitantes.
Algunos frente a semejante actitud salen a las calles a reclamar por sus derechos, otros optan orgullosamente por no quejarse y otros directa y lamentablemente, empuñan armas.
No podemos pensar que hay épocas para hacerlo y épocas para no hacerlo. Eso sería como pensar que la decisión de repeler acciones negligentes ejecutadas por uno o varios gobiernos, la bronca estallando en el centro del pecho resistiéndose a aceptar lo inaceptable, se comprara en el shopping de moda.
Atención, no es casual que luego de tantos años de letargo, se haya puesto en marcha en estos días, nuevamente, la terrorífica IV Flota, que piensa, efectivamente, recorrer no sólo las zonas marítimas internacionales, sino que recorrerá hasta los ríos de cada país, guste o no a sus gobernantes.
En medio de esa “visita” infernal, no será extraño que tropas rubicundas recorran también las tierras violando soberanías. Aunque sólo patrullando aguas internacionales, ya de por sí, representan el peligro más grande que haya vivido Latinoamérica.
Algún gobierno se mostrará firme, impidiendo ese paso de Malinche, lo más probable es que se produzcan fricciones, si no directamente guerras, pero ojo, que a nadie se le ocurra tratar de sacarlos a tiros aunque estén en todo su derecho, porque convengamos que la teoría actual indica que “hay que dejar las armas porque ya no es época de usarlas”.
Aunque vengan a violar soberanía.Aunque aniquilen los derechos de los pueblos.Aunque se adueñen de lo que nos pertenece.Aunque arrasen con los sueños de nuestros libertadores.Y con el porvenir de nuestros hijos y nietos.
No podremos hacer nada so pena de parecer antiguos, cuando comience a llevarse a la práctica el criterio del ex vicepresidente y Premio Nóbel de la Paz 2007, Albert Arnold Gore, Jr. o Al Gore que decía: “al contrario de lo que los brasileños piensan, la Amazonía no es de ellos, es de todos nosotros”.
Tampoco cuando se ejecute el pensamiento de Francois Mitterand, ex presidente de Francia que afirmara; “respecto de la Amazonía es necesario aplicar la doctrina de la soberanía limitada y del Derecho de Ingerencia”.
A partir de una nueva traición de Uribe, el mundo “libertario” festejó, no la decisión unilateral de la guerrilla de entregar a sus prisioneros como gesto de respeto a quienes actuaron como mediadores del terrible conflicto humanitario colombiano. Y que lo hicieron aún sabiendo que sus presos seguirían en las mazmorras del régimen olvidados por la historia, tan anónimos como cuando los apresaron por luchar contra el crujido de sus tripas hambreadas.
Festejaron el “salvamento” que hiciera un gobierno rodeado de fantasmas despedazados, asesinados a punta de motosierras y con la colaboración directa del Departamento de Estado de gringolandia y el Mossad.
A propósito ¿no se le ocurre a nadie decirle a Uribe que pasó de moda la utilización de esa herramienta convertida en arma?
Es fácil instar hoy a “que entreguen las armas”, olvidando aquella tristísima etapa de búsqueda de una salida política y no violenta, cuando aceptaron sumarse a un proceso legal, pacífico y democrático a partir de la Unión Patriótica , que sufrió más de 5 mil asesinatos selectivos de sus miembros entre los que había candidatos y militantes defensores de derechos humanos.
Olvidaron que hasta el candidato presidencial Bernardo Jaramillo cayera en aquel octubre de 1987 atravesado por el odio y la intolerancia.
Olvidando a Carlos Pizarro León Gómez, Eduardo Umaña Mendoza, Jaime Pardo Leal, Manuel Cepeda Vargas, Sandra Rondón, Francisco Pizarro.Olvidando al niño de ocho añitos, Julián Vélez a quien le arrancaron sus testículos a filo de machete por ser hijo de Carlos Julián Vélez, dirigente de la misma organización.
Hace 48 horas festejaron con bombos y platillos la “resurrección milagrosa” de una señora casi “moribunda” cuya propia madre, no se cansara de repetir en sus giras por el mundo, que el presidente Uribe NO tenía voluntad política de liberar a Ingrid y a los demás prisioneros, discurso repetido por los familiares de otros retenidos en manos de las FARC-EP.
Ingrid bajó del avión rodeada del amor de los suyos, algo hermoso, disfrazada de militar, algo repudiable, sin huellas visibles de tortura física, como deseábamos verla, y agradeciendo a las fuerzas militares y al presidente Uribe todo el esfuerzo puesto para su liberación, contradiciendo lo dicho durante su cautiverio por su propia madre desesperada.
El triunfalismo de las fuerzas militares, un milico graciosamente desesperado ¡¡¡…!!! tratando de plasmar en fotografías para la posteridad la imagen del “triunfo”, otros con sonrisa de oreja a oreja como niños mirando dibujitos animados y corriendo para la foto para perpetuar sus cinco minutos de gloria.
Y así transcurrió la “liberación”, entre héroes y villanos, horas y horas de carísimos espacios televisivos, “casi muertos” que reviven y vuelven a bañarse con agua caliente y a respaldar políticas de odio y mentiras.
¿Acerca de los prisioneros y prisioneras políticas en manos del Estado, me preguntan?No vale la pena, olvídenlos, que ellos y ellas no hablan francés y andaban fuera de moda, con sus cananas y sus morrales tratando de cambiar la historia de una tierra sembrada de muertes y ensordecida por las motosierras estatales y sin haber conocido nunca la sensación agradable y reparadora del agua caliente y el jabón importado, deslizándose por sus ásperos cuerpos…
Será por eso que nunca se sintieron casi muertos.
Ingrid Storgen
Viernes 4 de Julio de 2008, mientras en el imperio exterminador tres agentes “recuperados” hoy festejan el Día de la Independencia de su patria y mientras avanzan sus proyectos hegemónicos contra nuestros pueblos…
de Ingrid Storgen, para Kaos en la REd 04/07/2008 da http://www.frentean.col.nu/
27 maio 2008
A Luta Continua - sobre o 1968 de Zuenir
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais" [1]
Nas passagens iniciais, uma festa de reveillon, há imagens hilárias das loucuras daquele tempo de “É Proibido Proibir”, como a impagável cena de um casal que chega à festa e pede – para começar - dois uísques. Recebe, incrédulo, duas garrafas de legítimo scotch. Assim, segue-se o livro todo: introduzindo o leitor no clima de cada momento que relata, fazendo o leitor sentir-se parte daquilo tudo.
O autor passeia pelos acontecimentos que se desenrolam no mundo, as mudanças que vão se alastrando, o desejo de liberdade, o repúdio ao autoritarismo. Com o foco no Brasil, ele segue introduzindo o leitor no clima de descontração das conversas de boteco ou dos encontros de intelectuais e artistas. Descreve os novos costumes introduzidos, da moda ao comportamento sexual.
Aos poucos o clima vai pesando. Começa-se a perceber a perversidade e a irresponsabilidade das mudanças produzidas no Brasil. Aqui, diferente da Europa ou da América do Norte, vivia-se uma ditadura militar. A extrema direita começava a assumir o controle da ditadura, o que se consolida em uma sexta feira 13 do mês de dezembro daquele ano.
O livro pincela a discussão filosófica e política entre os "reformistas" e os "revolucionários". As lideranças do movimento estudantil, sindical e intelectual, alinhavam-se com uma das posições. Liam Marx, Marcuse, Mao, Ho Chi Min, Althusser, Che Guevara, Debray. As diferenças eram percebidas apenas por quem estava alinhado. Para as massas o importante mesmo era estar contra a repressão e a ditadura.
O teatro e a música, que já vinham muito mal vistos pelos militares desde o golpe de 64, sentem o peso da censura e da repressão. A estupidez da “milicada” era, muitas vezes, uma fonte de inspiração para jornalistas, como ilustra o seguinte texto do Correio da Manhã, de Brasília:
Brasília assistiu a um espetáculo estranho. Viaturas do DOPS postaram-se
diante de um teatro (...). Todo aquele aparato se voltava contra o elenco de "Um
bonde chamado desejo", de Tennessee Williams, ou seja, contra quatro atrizes e
três atores. A peça, depois de exibida à exaustão no Rio, São Paulo, Bahia, Belo
Horizonte, sem falar no resto do mundo, ofendeu a sensibilidade de um censor,
que exigiu o corte das palavras gorila, vaca e galinha. O censor se chama Leão.
Talvez se julgue, portanto, o rei dos animais, com direito a vetar o nome de
alguns de seus súditos. Em verdade esse Leão sugere outro animal, de orelhas
compridas e zurrante.[2]
"Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos."
O relato é leve e bem humorado. Longe de ser superficial, o seu mérito mais importante é o resgate fiel do que representou o ano de 1968 para a vida do país. Não há como permitir que os jovens ignorem esses acontecimentos e os adultos o esqueçam. Hoje, 40 anos depois, além de golpistas arrependidos ao jogo acabado, assistimos alguns personagens menosprezando aquela luta libertária. Será que esqueceram todo o terror que foi imposto à população? É o sociólogo Emir Sader que pergunta em artigo de maio deste ano de 2008 :
Foi o maior crime da história republicana do Brasil. Se mantiveram no poder durante mais de duas décadas. Prenderam, torturaram, assassinaram, ameaçaram, transformaram o Estado num serviço de controle dos cidadãos, de informações e de repressão. Fizeram do Brasil uma ditadura durante 21 anos e saíram impunemente. Se deram o direito de decretar, eles mesmos – algozes - a lei de anistia, que tentava igualar verdugos e vítimas.
Quem foi punido por todos os crimes realizados sob o abrigo da ditadura militar? Quanto os familiares das vítimas puderam saber do que aconteceu com seus parentes? Quem pagou as culpas pelos crimes da ditadura militar?[3]
O coronel Jarbas Passarinho, um dos articuladores mais ativos do golpe militar, hoje tenta turvar a história. Com o estímulo da mídia, velha parceira da aventura militar, e gozando da benevolência com que as pessoas costumam tratar os anciãos, ele fala despudoradamente de democracia, ética e moral. Só engana a quem não viveu essa história ou não se aprofundou nos acontecimentos. São fatos que remontam a 62 e seguem até a abertura democrática, em 1965, quando o número de democratas cresceu inversamente proporcional ao de ex-golpistas. Como encontra quem o ouça e até quem se confunda, o linha-dura discorre, em artigos prolixos, sobre democracia e direitos fundamentais. A propósito, uma notinha no blog de Afonso Klautau, dá um tom diferente dos que condescendem com o coronel:
Para o Coronel Passarinho
Não gosto do senhor e, pelo que sei, o senhor não gosta de mim.
Mas, meu pai gostava - tanto que lhe deu seu primeiro emprego civil - meu irmão mais velho, o Baim, também gosta.
Pai, irmão mais velho e padrinho como o Baim, a gente cala a boca quando eles falam.
Hoje, peço perdão ao Papai e ao Padrinho, para dizer que, coronel, o senhor é um hipócrita.
No seu artigo de hoje do Liberal, o sub-título é o seguinte: "o rodízio no poder é essencial á democracia, bem assim o respeito pelos direitos fundamentais".
E o senhor coronel assina assim: governador do Estado, senador e ministro de Estado de quatro governos.
Todos os cargos da ditadura que mais desrespeitou o rodízio no poder.
Para citar um pensador ilustre que não lembro mais quem é : "às favas, os escrúpulos"......................sem crase[4]
A frase citada por Afonso é do Coronel Jarbas Passarinho e foi proferida no ato oficial mais covarde e anticonstitucional da ditadura militar, que deu sustentação a todo tipo de arbitrariedade, permitindo a prisão de suspeitos, exonerando juízes, cassando deputados, expulsando estudantes da universidade e da escola pública, suspendendo os direitos civis. Na reunião solene de aprovação do Ato Institucional nº.5, de vinte e dois presentes, como relata Zuenir, apenas um manifestou-se contrário: Pedro Aleixo, o vice presidente do ditador Costa e Silva. O falante coronel Passarinho, foi um dos quatro ministros, citados por Zuenir, que quiseram dar o seu show, tentando roubar a cena. Além de votar favoravelmente, o entusiasmado coronel, fez questão de se pronunciar, vomitando essa preciosidade citada ("...às favas, senhor presidente, todos os escrúpulos de consciência.”)[5]
O AI-5, lamenta o autor do livro, durante os dez anos de vigência, puniu 1.607 cidadãos, incluído um grande contingente de pensadores e criadores, proibiu 500 filmes, 450 peças de teatro, 200 livros, dezenas de programa de radio, 100 revistas, mais de 500 letras de música e até cenas de telenovela.
Há, entre tantos torturadores, golpistas e hipócritas, um capitão a quem não se fez justiça e merece homenagens: o capitão pára-quedista Sérgio Ribeiro de Carvalho. Com uma carreira militar brilhante, com quatro medalhas de bravura, o capitão ousou recusar-se a cumprir as ordens insanas dos seus superiores e, assim, deixar de ganhar sua 5ª medalha. Foi uma atitude corajosa, que salvou cerca de 100 mil pessoas, número projetado de vítimas do ato planejado de explodir o gasoduto no Rio de Janeiro, na hora do rush, no centro da cidade. O objetivo era atribuir a autoria aos comunistas. O segundo passo do hediondo plano do Brigadeiro Burnier, seria o assassinato de quarenta políticos, que seriam jogados de um helicóptero, em alto mar: Juscelino Kubistchek, João Goulart, D. Helder Câmara, Carlos Lacerda, entre outros. O capitão Sérgio Macaco, como era conhecido por sua habilidade na selva, diante desse ato de heroísmo atraiu o ódio dos generais e teve sua carreira prejudicada, diante das perseguições internas.
Nos 21 anos da ditadura militar, contabiliza-se 400 mortos e desaparecidos, além de milhares de torturados. Não aceitemos que o Brasil se torne o país da desmemória, conheçamos e aprendamos as lições da história, para que jamais se repita.
Leila Jinkings
[1]Música: Vai Passar, de Francis Hime e Chico Buarque, 1984.
[2] Zuenir, 1988. pp. 96
[3] Carta Maior, Blog do Emir http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=124
[4] disponível em
[5] Zuenir, 1988. pp 282/283.
Referências:
ZUENIR, VENTURA. 1968 - O Ano Que Não Terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988
OLIVEIRA, ALFREDO. A Partir da Ilha. Belém, Cultural Cejup, 1991.
Blog do Emir, disponível em <http://www.cartamaior.com.br/templates/blogMostrar.cfm?blog_id=1&alterarHomeAtual=1>, acessado em 16 de maio de 2008.
Blog do AK , disponível em <http://akaamazonia.blogspot.com/2007_12_01_archive.html>, em 01 de dezembro de 2007

