15 julho 2008

07 julho 2008

Pelo Veto ao Projeto de Cibercrimes

To: Senado Brasileiro

EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA

A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa.
Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.
A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento.
O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural.
A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana.
E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias que mais crescem são, justamente, "Educação e Carreira", ou seja, acesso à sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil. Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de existência.
Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância.
Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir autorização" na memória "viva" (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comum dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime. O projeto, se aprovado, colocaria a prática do "blogging" na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém!
Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao "transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado", "sem pedir a autorização dos autores" (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los).
Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.
O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos... Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum "dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular"?
Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime. Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI.
Por estas razões nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000, e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.

André Lemos, Prof. Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA, Pesquisador 1 do CNPq.

Sérgio Amadeu da Silveira, Prof. do Mestrado da Faculdade Cásper Líbero, ativista do software livre.

João Carlos Rebello Caribé, Publicitário e Consultor de Negócios em Midias Sociais

Sinceramente,

Abaixo Assinados
http://leilajinkings.blogspot.com/2008/07/golpistas-tentam-amordaar-internet.html

06 julho 2008

Discurso de Ademir Andrade em Homenagem a Horacio Macedo


O primeiro Reitor eleito na Universidade Brasileira (UFRJ 1985/89), dia-a-dia zelou pelo modelo da Universidade Pública, democrática e gratuita.Defendeu a soberania nacional, hoje, tão ameaçada. Ex-professor de universidade pública, perseguido e cassado, seguiu atuando, frente aos interesses nacionais.

SENADO FEDERAL,
Gabinete da 2ª vice-presidência
Discurso do Senador Ademir Andrade, do PSB-Pará, no Senado Federal, em 25 de fevereiro de 1999 e enviado à Direção Regional do PCB no Pará, com quem tem ombreado nas lutas populares e nas Frentes de Esquerda, eleitorais ou não.
Do SENADOR ADEMIR ANDRADE DE PSB-PA

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores,

Desejo registrar com imenso pesar, o súbito falecimento do companheiro de luta e emérito professor Horacio Cintra de Magalhães Macedo, ocorrido na madrugada do dia 24 ultimo na cidade do Rio de Janeiro. Exreitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi um dos grandes defensores da universidade publica de qualidade para todos. Não por acaso, em 1985, foi o primeiro reitor democraticamente eleito no Brasil sob a bandeira do ensino publico, gratuito e autônomo. Compatibilizou ciência e política como poucos intelectuais o fazem hoje, incondicionalmente inscrito na heróica utopia de um Brasil socialmente mais justo, democrático, livre e soberano.

Nos anos oitenta enquanto exercia a função de magnífico reitor da UFRJ, jamais hesitou em trabalhar pelos ideais do fortalecimento democrático dentro e fora da universidade buscando o engajamento do ensino, da pesquisa e da extensão na luta pela justiça social.

Sempre digno e honrado não compactuou com as elites corruptas desse País, tampouco tolerou a elitização o alheamento e a alienação da universidade brasileira. Pelo contrario, figura eminente das ciências exatas, sensibilizava-se profundamente com as questões éticas e ideológicas da política nacional.

Homem de esquerda sua consciência política atravessou por inteiro sua trajetória profissional, acadêmica e política. 0 inicio de, sua trajetória Política, acontece durante a Segunda Grande Guerra, quando, ainda estudante, alista-se à FEB para combater o nazi fascismo na Europa

Não obstante sua disposição patriótica, o Ministério da Guerra recusa sua inscrição em razão de sua pouca idade. Em compensação no alvorecer dos anos 50, quando acabara de concluir o curso de Física, o jovem Horácio participou intensamente da campanha “O Petróleo é nosso” .

Logo em seguida, empolgado com a crescente empatia socialista que abraçava o País, ingressou nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, do qual jamais se afastou. Com o golpe militar de 64, foi um dos cientistas vitimado pelo criminoso “Massacre dos Manguinhos”, cujo desdobramento culminou em sua prisão nos porões da ditadura e conseqüente cassação de, seus direitos.

Comunista convicto, nunca abandonou a militância política no quadro do PCB, mas isso seguramente não se confundia com alinhamento automático, pois, historicamente, se fez conhecido pelas duras criticas que apontou ao seu funcionamento e à linha política por vezes adotada pelo “Partidão”.

Apesar de toda a perseguição política durante a ditadura, prosseguiu com muito êxito sua Carreira acadêmica ocupando posições de indiscutível destaque não só na UFRJ mas também no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas no antigo Instituto Osvaldo Cruz e na Universidade Rural do Rio de Janeiro. Desse modo, cientista de renome, publicou inúmeros artigos e livros em sua área de conhecimento, a Química Industrial. Foram mais de 70 obras espalhadas por quatro décadas de dedicação, estudo e pesquisa. Entre, as obras de destaque, vale mencionar “Teoria Cinética dos Gases”, “FisicoQuimica” e “Dicionário de Física”.

Aposentado da ciência, militou no Partidão ate o ultimo dia de sua vida. Mesmo depois da tumultuada cisão que se deu no PCB no dos anos 90, o professor Horacio exerceu a Presidência do Partido de 92 a 94, e, ate antes de sua morte ocupava cadeira na Comissão Executiva do Comitê Central.

Para concluir, por tudo isso e por muito mais, em 1997, a cidade do Rio de Janeiro, em justa e merecida homenagem concedeu ao professor Horacio Macedo a medalha Pedro Ernesto em sessão solene na Câmara Municipal. Enfim, ainda consternado, nesse momento de muita dor e saudades faço minhas as palavras de Anita Macedo, sua esposa: “Horacio era um homem do século 21, da sociedade socialista, justa e igualitária”.

Era o que tinha a dizer.


Muito obrigado.


SENADOR ADEMIR ANDRADE DE PSB-PA

Brasília, 25 de fevereiro de 1999

La verdad, yo no puedo felicitarlo…

…ni por diplomacia, ni por cuestión política, ni por broma.

Aunque esté contenta por la liberación de la señora Ingrid Betancourt, cuya foto en la que se veía casi moribunda, desgastada, lastimosa, recorrió el mundo y agitó más de un corazón, de esos que viven prendidos de la gran prensa internacional, sometida a un proyecto repudiable y que da vueltas como un panqueque la realidad del mundo actual.

Me sentí muy feliz cuando todos los canales de televisión se lanzaron en busca de la última noticia tan esperada por el mundo, mostrando la llegada del avión en cuya puerta asomó la imagen de la mujer liberada quien se vio muy rozagante, demostrando una hercúlea fuerza que debe ser la que le permitió cambiar su estado físico respecto al que tenía hace tan pocos meses.

Pensé y lo confieso, que estaba presenciando un verdadero “milagro” muy parecido a un reality show, tan de moda, en la televisión.

No sería extraño que algún obispo ya esté pensando en canonizarla aunque vistiera ropas militares, pero ese sería un detalle menor, mucho más tratándose de ropa militar colombiana.
Como mujer envidié su prolijidad, sus cejas impecables, tanto como su cabello, habiendo soportado condiciones “tan adversas” y sin agua caliente, maravilloso realmente.

Uno jamás apoyó la retención de la señora, por favor, hacerlo sería como aceptar la situación de los miles de prisioneros y prisioneras en las paupérrimas cárceles del estado colombiano, o aceptar el padecimiento de tantos niños y jóvenes así como de padres, madres, hermanos, familiares, amigos, que sufren la desesperación de la ausencia.

Porque la ausencia es como una lanza envenenada clavada en el corazón de quienes la padecen, sean morenos, blancos, indios, mestizos, europeos, pese a que la teoría actual se inclina, como en siglos pasados, en beneficiar a estos últimos.

Sinceramente pienso que el mismo respeto merecen todos los grupos étnicos, bilingües o no, con doble nacionalidad o autóctonos de una tierra, la que los vio nacer y morir todos los días un poco a causa de la desidia de los que arrasan con lo que le corresponde a tantos y aunque algunos de estos grupos sean los eternos olvidados en un sistema cruel, hipócrita, despiadado.

Como dice el título de esta nota, la verdad, yo no lo felicito a Uribe, creo que hoy más que nunca tienen vigencia las palabras atribuidas al filósofo Aristóteles, “considero más valiente al que conquista sus deseos que al que conquista a sus enemigos…” y agregamos aquella de Willy Brandt: “permitir una injusticia significa abrir el camino a todas las que le siguen”.

Y estamos permitiendo la injusticia al salir, por el motivo que fuere, a felicitar a un genocida como Uribe quien goza de un historial criminal sin antecedentes, permitiendo que existan en Colombia estructuras paramilitares que hoy tienen 400 diligencias judiciales abiertas y 100 mil víctimas de toda edad y color de piel, pero europeos abstenerse…Felicitar a un asesino que posibilitó que los que se conocen como paramilitares colombianos desmovilizados, sean propietarios en Suramérica de minas de oro, empresas de transporte, millones de hectáreas de campo útiles para el narcotráfico internacional y/o viviendas en muchos puntos.

Un hombre-bestia que cuenta en su haber la terrorífica cifra de más de 60 mil muertos, 4 mil desaparecidos y más de 3 millones de desplazados, pero que hoy “demuestra piedad” con determinados prisioneros políticos tal como se ha visto en las últimas horas. Franceses y estadounidenses, agentes de la CÍA , en viaje de “estudio” por zonas de incidencia de las fuerzas guerrilleras, o militares apresados en combates.

Felicitar a semejante monstruo, hoy desesperado trabajador por una próxima reelección y cuyo acompañante en la nueva fórmula presidencial bien podemos imaginar, es enterrar definitivamente a los familiares de todas las víctimas por manos del aparato genocida estatal.
Y a los prisioneros hacinados en las cárceles de máxima seguridad del estado, que parecen innombrables. Igual que los extraditados al imperio.

Hay que tener mucho cuidado con lo que avalamos sea por la causa que fuere.
Jamás me pondría del lado de gente que empuña armas, ni de la insurgencia ni del Estado, considerando que a ellos les sobran herramientas para defenderse.

Pero seamos concisos en la apreciación, ninguna fuerza insurrecta en el mundo se formó porque hombres y mujeres, masivamente, se hayan levantado un día con el, con el “pie izquierdo”, símbolo de mala suerte según lo instalado por las sociedades discriminatorias que indican que todo lo izquierdo es malo, es siniestro, peligroso…

Una guerrilla se forma como respuesta a un Estado ausente en lo social, o presente a través del terror, a un Estado genocida, a un Estado que vulnera los derechos de los habitantes.

Algunos frente a semejante actitud salen a las calles a reclamar por sus derechos, otros optan orgullosamente por no quejarse y otros directa y lamentablemente, empuñan armas.

No podemos pensar que hay épocas para hacerlo y épocas para no hacerlo. Eso sería como pensar que la decisión de repeler acciones negligentes ejecutadas por uno o varios gobiernos, la bronca estallando en el centro del pecho resistiéndose a aceptar lo inaceptable, se comprara en el shopping de moda.

Atención, no es casual que luego de tantos años de letargo, se haya puesto en marcha en estos días, nuevamente, la terrorífica IV Flota, que piensa, efectivamente, recorrer no sólo las zonas marítimas internacionales, sino que recorrerá hasta los ríos de cada país, guste o no a sus gobernantes.

En medio de esa “visita” infernal, no será extraño que tropas rubicundas recorran también las tierras violando soberanías. Aunque sólo patrullando aguas internacionales, ya de por sí, representan el peligro más grande que haya vivido Latinoamérica.

Algún gobierno se mostrará firme, impidiendo ese paso de Malinche, lo más probable es que se produzcan fricciones, si no directamente guerras, pero ojo, que a nadie se le ocurra tratar de sacarlos a tiros aunque estén en todo su derecho, porque convengamos que la teoría actual indica que “hay que dejar las armas porque ya no es época de usarlas”.

Aunque vengan a violar soberanía.Aunque aniquilen los derechos de los pueblos.Aunque se adueñen de lo que nos pertenece.Aunque arrasen con los sueños de nuestros libertadores.Y con el porvenir de nuestros hijos y nietos.

No podremos hacer nada so pena de parecer antiguos, cuando comience a llevarse a la práctica el criterio del ex vicepresidente y Premio Nóbel de la Paz 2007, Albert Arnold Gore, Jr. o Al Gore que decía: “al contrario de lo que los brasileños piensan, la Amazonía no es de ellos, es de todos nosotros”.

Tampoco cuando se ejecute el pensamiento de Francois Mitterand, ex presidente de Francia que afirmara; “respecto de la Amazonía es necesario aplicar la doctrina de la soberanía limitada y del Derecho de Ingerencia”.

A partir de una nueva traición de Uribe, el mundo “libertario” festejó, no la decisión unilateral de la guerrilla de entregar a sus prisioneros como gesto de respeto a quienes actuaron como mediadores del terrible conflicto humanitario colombiano. Y que lo hicieron aún sabiendo que sus presos seguirían en las mazmorras del régimen olvidados por la historia, tan anónimos como cuando los apresaron por luchar contra el crujido de sus tripas hambreadas.

Festejaron el “salvamento” que hiciera un gobierno rodeado de fantasmas despedazados, asesinados a punta de motosierras y con la colaboración directa del Departamento de Estado de gringolandia y el Mossad.

A propósito ¿no se le ocurre a nadie decirle a Uribe que pasó de moda la utilización de esa herramienta convertida en arma?

Es fácil instar hoy a “que entreguen las armas”, olvidando aquella tristísima etapa de búsqueda de una salida política y no violenta, cuando aceptaron sumarse a un proceso legal, pacífico y democrático a partir de la Unión Patriótica , que sufrió más de 5 mil asesinatos selectivos de sus miembros entre los que había candidatos y militantes defensores de derechos humanos.
Olvidaron que hasta el candidato presidencial Bernardo Jaramillo cayera en aquel octubre de 1987 atravesado por el odio y la intolerancia.

Olvidando a Carlos Pizarro León Gómez, Eduardo Umaña Mendoza, Jaime Pardo Leal, Manuel Cepeda Vargas, Sandra Rondón, Francisco Pizarro.Olvidando al niño de ocho añitos, Julián Vélez a quien le arrancaron sus testículos a filo de machete por ser hijo de Carlos Julián Vélez, dirigente de la misma organización.

Hace 48 horas festejaron con bombos y platillos la “resurrección milagrosa” de una señora casi “moribunda” cuya propia madre, no se cansara de repetir en sus giras por el mundo, que el presidente Uribe NO tenía voluntad política de liberar a Ingrid y a los demás prisioneros, discurso repetido por los familiares de otros retenidos en manos de las FARC-EP.

Ingrid bajó del avión rodeada del amor de los suyos, algo hermoso, disfrazada de militar, algo repudiable, sin huellas visibles de tortura física, como deseábamos verla, y agradeciendo a las fuerzas militares y al presidente Uribe todo el esfuerzo puesto para su liberación, contradiciendo lo dicho durante su cautiverio por su propia madre desesperada.

El triunfalismo de las fuerzas militares, un milico graciosamente desesperado ¡¡¡…!!! tratando de plasmar en fotografías para la posteridad la imagen del “triunfo”, otros con sonrisa de oreja a oreja como niños mirando dibujitos animados y corriendo para la foto para perpetuar sus cinco minutos de gloria.

Y así transcurrió la “liberación”, entre héroes y villanos, horas y horas de carísimos espacios televisivos, “casi muertos” que reviven y vuelven a bañarse con agua caliente y a respaldar políticas de odio y mentiras.

¿Acerca de los prisioneros y prisioneras políticas en manos del Estado, me preguntan?No vale la pena, olvídenlos, que ellos y ellas no hablan francés y andaban fuera de moda, con sus cananas y sus morrales tratando de cambiar la historia de una tierra sembrada de muertes y ensordecida por las motosierras estatales y sin haber conocido nunca la sensación agradable y reparadora del agua caliente y el jabón importado, deslizándose por sus ásperos cuerpos…

Será por eso que nunca se sintieron casi muertos.

Ingrid Storgen

Viernes 4 de Julio de 2008, mientras en el imperio exterminador tres agentes “recuperados” hoy festejan el Día de la Independencia de su patria y mientras avanzan sus proyectos hegemónicos contra nuestros pueblos…

de Ingrid Storgen, para Kaos en la REd 04/07/2008 da http://www.frentean.col.nu/

27 maio 2008

A Luta Continua - sobre o 1968 de Zuenir


Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
" [1]
O livro “1968- o ano que não terminou” é uma leitura imprescindível para a compreensão daquele ano que marcou para sempre a vida no mundo. Zuenir Ventura relata os acontecimentos no Brasil, fazendo com que o leitor compreenda a conjuntura, naquele momento, na vida dos brasileiros. Diferente de outros relatos, ele não desce à cozinha, preocupa-se com os fatos mais relevantes para a compreensão de quem lê, com isenção e profissionalismo, sem, contudo, colocar-se fora deles.
Nas passagens iniciais, uma festa de reveillon, há imagens hilárias das loucuras daquele tempo de “É Proibido Proibir”, como a impagável cena de um casal que chega à festa e pede – para começar - dois uísques. Recebe, incrédulo, duas garrafas de legítimo scotch. Assim, segue-se o livro todo: introduzindo o leitor no clima de cada momento que relata, fazendo o leitor sentir-se parte daquilo tudo.

O autor passeia pelos acontecimentos que se desenrolam no mundo, as mudanças que vão se alastrando, o desejo de liberdade, o repúdio ao autoritarismo. Com o foco no Brasil, ele segue introduzindo o leitor no clima de descontração das conversas de boteco ou dos encontros de intelectuais e artistas. Descreve os novos costumes introduzidos, da moda ao comportamento sexual.

Aos poucos o clima vai pesando. Começa-se a perceber a perversidade e a irresponsabilidade das mudanças produzidas no Brasil. Aqui, diferente da Europa ou da América do Norte, vivia-se uma ditadura militar. A extrema direita começava a assumir o controle da ditadura, o que se consolida em uma sexta feira 13 do mês de dezembro daquele ano.

O livro pincela a discussão filosófica e política entre os "reformistas" e os "revolucionários". As lideranças do movimento estudantil, sindical e intelectual, alinhavam-se com uma das posições. Liam Marx, Marcuse, Mao, Ho Chi Min, Althusser, Che Guevara, Debray. As diferenças eram percebidas apenas por quem estava alinhado. Para as massas o importante mesmo era estar contra a repressão e a ditadura.

O teatro e a música, que já vinham muito mal vistos pelos militares desde o golpe de 64, sentem o peso da censura e da repressão. A estupidez da “milicada” era, muitas vezes, uma fonte de inspiração para jornalistas, como ilustra o seguinte texto do Correio da Manhã, de Brasília:
Brasília assistiu a um espetáculo estranho. Viaturas do DOPS postaram-se
diante de um teatro (...). Todo aquele aparato se voltava contra o elenco de "Um
bonde chamado desejo", de Tennessee Williams, ou seja, contra quatro atrizes e
três atores. A peça, depois de exibida à exaustão no Rio, São Paulo, Bahia, Belo
Horizonte, sem falar no resto do mundo, ofendeu a sensibilidade de um censor,
que exigiu o corte das palavras gorila, vaca e galinha. O censor se chama Leão.
Talvez se julgue, portanto, o rei dos animais, com direito a vetar o nome de
alguns de seus súditos. Em verdade esse Leão sugere outro animal, de orelhas
compridas e zurrante.[2]
Da mídia, Zuenir oferece alguns trechos reveladores da estirpe de profissionais, da sua criatividade e da sua respeitável autonomia. Do inicio ao fim do livro, ele pinça notinhas e artifícios utilizados por aquela mídia de então, em editoriais, reportagens e até miscelâneas. É o caso da histórica edição do JB, no dia seguinte ao AI-5. Uma obra de arte, mereceria um fac-símile de página inteira. Recheada de gozações, começava por usar uma linguagem já superada por reforma gráfica e redacional de dez anos atrás. Usando adjetivos e clichês, passava pela dubiedade nas legendas das fotos de capa e culminava com a meteorologia no alto da 1ª página, no verão escaldante:

"Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos."
Zuenir Ventura entrevistou personagens como Vladimir Palmeira, Zé Dirceu, Chico Buarque, Franklin Martins, Helio Pelegrino, Flávio Rangel, Zé Celso e muitos outros. Ouviu também personagens que se escondem atrás do anonimato, geralmente os que estavam a serviço da ditadura, e lança mão de vasta documentação. Foi uma pesquisa de dez anos, ele conta.

O relato é leve e bem humorado. Longe de ser superficial, o seu mérito mais importante é o resgate fiel do que representou o ano de 1968 para a vida do país. Não há como permitir que os jovens ignorem esses acontecimentos e os adultos o esqueçam. Hoje, 40 anos depois, além de golpistas arrependidos ao jogo acabado, assistimos alguns personagens menosprezando aquela luta libertária. Será que esqueceram todo o terror que foi imposto à população? É o sociólogo Emir Sader que pergunta em artigo de maio deste ano de 2008 :

Foi o maior crime da história republicana do Brasil. Se mantiveram no poder durante mais de duas décadas. Prenderam, torturaram, assassinaram, ameaçaram, transformaram o Estado num serviço de controle dos cidadãos, de informações e de repressão. Fizeram do Brasil uma ditadura durante 21 anos e saíram impunemente. Se deram o direito de decretar, eles mesmos – algozes - a lei de anistia, que tentava igualar verdugos e vítimas.
Quem foi punido por todos os crimes realizados sob o abrigo da ditadura militar? Quanto os familiares das vítimas puderam saber do que aconteceu com seus parentes? Quem pagou as culpas pelos crimes da ditadura militar?[3]

O coronel Jarbas Passarinho, um dos articuladores mais ativos do golpe militar, hoje tenta turvar a história. Com o estímulo da mídia, velha parceira da aventura militar, e gozando da benevolência com que as pessoas costumam tratar os anciãos, ele fala despudoradamente de democracia, ética e moral. Só engana a quem não viveu essa história ou não se aprofundou nos acontecimentos. São fatos que remontam a 62 e seguem até a abertura democrática, em 1965, quando o número de democratas cresceu inversamente proporcional ao de ex-golpistas. Como encontra quem o ouça e até quem se confunda, o linha-dura discorre, em artigos prolixos, sobre democracia e direitos fundamentais. A propósito, uma notinha no blog de Afonso Klautau, dá um tom diferente dos que condescendem com o coronel:


Para o Coronel Passarinho
Não gosto do senhor e, pelo que sei, o senhor não gosta de mim.
Mas, meu pai gostava - tanto que lhe deu seu primeiro emprego civil - meu irmão mais velho, o Baim, também gosta.
Pai, irmão mais velho e padrinho como o Baim, a gente cala a boca quando eles falam.
Hoje, peço perdão ao Papai e ao Padrinho, para dizer que, coronel, o senhor é um hipócrita.
No seu artigo de hoje do Liberal, o sub-título é o seguinte: "o rodízio no poder é essencial á democracia, bem assim o respeito pelos direitos fundamentais".
E o senhor coronel assina assim: governador do Estado, senador e ministro de Estado de quatro governos.
Todos os cargos da ditadura que mais desrespeitou o rodízio no poder.
Para citar um pensador ilustre que não lembro mais quem é : "às favas, os escrúpulos"......................sem crase[4]


A frase citada por Afonso é do Coronel Jarbas Passarinho e foi proferida no ato oficial mais covarde e anticonstitucional da ditadura militar, que deu sustentação a todo tipo de arbitrariedade, permitindo a prisão de suspeitos, exonerando juízes, cassando deputados, expulsando estudantes da universidade e da escola pública, suspendendo os direitos civis. Na reunião solene de aprovação do Ato Institucional nº.5, de vinte e dois presentes, como relata Zuenir, apenas um manifestou-se contrário: Pedro Aleixo, o vice presidente do ditador Costa e Silva. O falante coronel Passarinho, foi um dos quatro ministros, citados por Zuenir, que quiseram dar o seu show, tentando roubar a cena. Além de votar favoravelmente, o entusiasmado coronel, fez questão de se pronunciar, vomitando essa preciosidade citada ("...às favas, senhor presidente, todos os escrúpulos de consciência.”)[5]

O AI-5, lamenta o autor do livro, durante os dez anos de vigência, puniu 1.607 cidadãos, incluído um grande contingente de pensadores e criadores, proibiu 500 filmes, 450 peças de teatro, 200 livros, dezenas de programa de radio, 100 revistas, mais de 500 letras de música e até cenas de telenovela.

Há, entre tantos torturadores, golpistas e hipócritas, um capitão a quem não se fez justiça e merece homenagens: o capitão pára-quedista Sérgio Ribeiro de Carvalho. Com uma carreira militar brilhante, com quatro medalhas de bravura, o capitão ousou recusar-se a cumprir as ordens insanas dos seus superiores e, assim, deixar de ganhar sua 5ª medalha. Foi uma atitude corajosa, que salvou cerca de 100 mil pessoas, número projetado de vítimas do ato planejado de explodir o gasoduto no Rio de Janeiro, na hora do rush, no centro da cidade. O objetivo era atribuir a autoria aos comunistas. O segundo passo do hediondo plano do Brigadeiro Burnier, seria o assassinato de quarenta políticos, que seriam jogados de um helicóptero, em alto mar: Juscelino Kubistchek, João Goulart, D. Helder Câmara, Carlos Lacerda, entre outros. O capitão Sérgio Macaco, como era conhecido por sua habilidade na selva, diante desse ato de heroísmo atraiu o ódio dos generais e teve sua carreira prejudicada, diante das perseguições internas.

Nos 21 anos da ditadura militar, contabiliza-se 400 mortos e desaparecidos, além de milhares de torturados. Não aceitemos que o Brasil se torne o país da desmemória, conheçamos e aprendamos as lições da história, para que jamais se repita.



Leila Jinkings


[1]Música: Vai Passar, de Francis Hime e Chico Buarque, 1984.

[2] Zuenir, 1988. pp. 96

[3] Carta Maior, Blog do Emir http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=124

[4] disponível em , http://akaamazonia.blogspot.com/2007_12_01_archive.html em 01 de dezembro de 2007.

[5] Zuenir, 1988. pp 282/283.


Referências:
ZUENIR, VENTURA. 1968 - O Ano Que Não Terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988
OLIVEIRA, ALFREDO. A Partir da Ilha. Belém, Cultural Cejup, 1991.
Blog do Emir, disponível em <http://www.cartamaior.com.br/templates/blogMostrar.cfm?blog_id=1&alterarHomeAtual=1>, acessado em 16 de maio de 2008.
Blog do AK , disponível em <http://akaamazonia.blogspot.com/2007_12_01_archive.html>, em 01 de dezembro de 2007